Etiqueta: Poesia

Subvivência, João Freitas Mendes

Não é verdade que haja coisas que o dinheiro não compra. O que há são coisas que o dinheiro compra: A sobrevivência, o pão, o café, o vinho, a salada de atum, o café, a massa com azeite, a cerveja e o café, maçãs e o passe dos transportes, açúcar, e o café! Não, o ...

Uma chuva que partiu, José Maria Pinheiro de Souza Neto

Prosa poética de José Maria Pinheiro de Souza Neto Cansados, finalmente deitei sobre teu ventre. Bela e formosa vida frutífera. São os descuidos das beiras que sobram, é tanto amor que me indicas, eu inculto, eu num invólucro que toma minha cegueira. Assim caminhamos pelos desafios, eu destemido e tu minha amiga, que chama, sem ...

Falta estio, João Freitas Mendes

Idealizas e estás próximo, antes bastava um nome, um baralho de uma nota; hoje tudo não. Se a aparência é dentro porque soslaias de fora? O primeiro lugar contado está do outro lado da ponte, a tua casa está no canhoto que não habitas. No papel gomado os cantos são en-cantos são re-cantos e pás ...

“Nunca se imaginaram a andar no tecto?”: Recensão de Porquê não sei ainda (João Freitas Mendes, 2019), Rui Moreira Menezes

Imagem: (acima) Orestes Perseguido pelas Fúrias (1852), de Carl Rahl (1812-1865), óleo sobre tela, Niedersächsisches Landesmuseum für Kunst und Kulturgeschichte, Oldenburg, Alemanha. (abaixo) Cinco Artistas em Sinta (1877), de Cristino da Silva (1829-1877), óleo sobre tela, Museu Nacional de Arte Contemporânea, Lisboa, Portugal. Texto de Rui Moreira Menezes Os Fazedores de Letras não podiam deixar ...

Les Hirondelles / As Andorinhas: poemas, Clotilde Mota

Dois poemas (um deles em duas versões, uma francesa e outra portuguesa) de Clotilde Mota Les Hirondelles / As Andorinhas I(versão original, em francês) Elles sont proches. Elles sont toutes proches! Elles sont là!Et comme sont toujours belles ces hirondelles!Enveloppées dans leurs incomparables manteaux  noirsGarnissant,  mais  contrastant aussiAvec le blanc  immaculé   de leurs petits bavoirs,Elles ...

Quatro poemas de Rodrigo Pereira

Quatro poemas de Rodrigo Pereira ISE O QUE EU ESCREVO FOSSEM PALAVRAS Se o que eu escrevo fossem palavras,Elas teriam um somE derramaria tinta sem entravesNo papel, pelo meu dom. Se o que eu digo se escrevesseFaria um livro com mil canetasE alguém o leria até que adormecessePor não encontrar nenhumas letras. Se eu fosse ...

Outono, João Rebocho

Amável e ameno dia nostálgicooutono, atónito, pairava o olharao murchar das folhas, e perguntava– Ando no mesmo passo ou passeia-se o meu corpo num passo longe da minha alma? Chega-se até mim um toque seco e áspero, olho pelo ombro, adivinhando os traçossó vejo a sombra, gaguejo gelado– Ando no mesmo passo ou passeia-seo meu corpo num ...

Prólogo para um livro de poemas de amor, Tomás Ferreira

Passei pelo fogo e as minhas obras estão queimadas,Mas eu tenho dúvidas de estar purificado e justificado.Não sei a razão das coisas, não consigo penetrar com olho de profetaNo comprido e escuro abismo do futuro sem fundo.E, no entanto, tenho novas a comunicar, terríveis notícias, quiçá,Que vozes sem língua me sussurraram ao ouvido,Angustiadas visões que ...

A vocação poética de Karol Wojtyła, Andreas Gonçalves Lind, SJ

Imagem: Karol Wojtyła numas férias de canoagem, fotografia de autor desconhecido (c. 1950-60), retirada do livro de Mieczysław Maliński, Najchętniej grał na bramce (Varsóvia: Wydawnictwo Sióstr Loretanek, 1985) Ensaio de Andreas Gonçalves Lind, SJ Nasci durante a década de oitenta do século passado. Quando vim ao mundo, Karol Wojtyla já era João Paulo II. E ...

Três poemas de Clotilde Mota

Três poemas de Clotilde Mota IA dor do universo amar Morrer por um abraço, não é, querido Amigo,Uma dor menor, é antes, sabe-se, uma maior dorMas, afirmo- vos eu, e não o contradigoÉ sempre uma dor, mesmo que seja de amor. Agradecer a Deus o que dele se recebe, é  a nossa obrigação,É missão sagrada ...