Chapéu de palha, Luís G. Rodrigues

As sombras repetem-se. Ali, todas mostravam a mesma coisa com figuras diferentes como que querendo dizer algo. Ele olha-as, sabendo que são formadas pelas persianas que deixam passar a pouca luz da Lua e dos postes de eletricidade. Naquele teto as figuras são diferentes, cada brecha daquela persiana espera até àquelas horas para mostrar o que não pôde pela manhã soalheira que se tem repetido no decorrer daquele vulgar verão por que as pessoas ansiavam no inverno que já passou.

O Mistério do Solar de Monchique, Sebastião N. Viana

“Foi há muitos anos quando quase sem forças rezava a São Cristóvão por esses trilhos endiabrados que vão desde a Serra de Monchique aos Montes da Fóia. Não sei por quantas horas andara, mas era de noite, e com a noite tudo se silenciara, menos o vento que continuava intenso, devassando as copas das árvores sem piedade.” Um conto de terror e suspense de Sebastião N. Viana.

Transeuntes, B.M. Rodrigues

Quantas ondas um corpo amado produz no oceano de um coração apaixonado? E, uma vez produzidas, quem serena o mar na passagem pelocontinente da consciência? Eu toco suas costas, e seus pêlos arrepiam, vira o rosto, morde o lábio, e eu estremeço. É uma onda que passa por mim, que me leva, imóvel, ainda que seja eu quem age.

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