A Poesia Nunca Foi Das Elites, Acílio Maria Gala

Texto de Acílio Maria Gala. Revisão de Ana Sofia Souto.

A poesia nunca foi das elites,
A poesia é do povo
É dos que vagueiam pela noite,
Dos que andam por aí a vadiar
Sem saber onde parar
Sem saber onde amar,
Porque o coração sangra demais.
A poesia é das sombras
Que na luz endiabradamente dançam
E de mãos dadas,
Segredam promessas de amor
Que um dia serão quebradas,
Porque assim irá ditar o tempo.

A poesia nunca foi das elites,
E só diz o contrário
Alguém que nunca viu
Como trabalham as mãos enrugadas,
Como trabalham as almas caladas.
A poesia é nossa
A poesia é das tascas e dos cantos
Que obscuros contam histórias
E cantam a santos,
Em vozes lamuriosas
As vidas perdidas,
As palavras sentidas.
Que se lixem todos aqueles
Que se lixem todas aquelas
Que nos criticam.
Falta-lhes amor,
Falta-lhes partilhar a dor
Como nós partilhamos,
Como nós a gritamos.
A poesia nunca foi das elites,
Nunca foi dos corações
Que se proclamam de supérfluas emoções.
A poesia é nossa,
Nós, que nos deixamos consumir
Pelo que nos rodeia
Pelo que nos destrói
Pelo que nos faz sorrir.
A poesia somos nós,
E todos os que se mantêm calados
Estáticos e parados
Sabendo que se falassem,
O Mundo iria parar para os ouvir.