Poemas Omero I e III de Giosuè Carducci

Tradução do italiano por Ana Margarida Silva.

Imagem: The Course of Empire – Desolation, Thomas Cole, Metropolitan Museum, New-York Historical Society, 1836.
Tradução de Ana Margarida Silva.
Revisão pelo Professor Gaspare Trapani.

Omero – I

Non più riso d’iddei la nebulosa
Cima d’Olimpo a gli occhi umani accende:
Biancheggian teschi per le rupi orrende,
E sopravi la nera aquila posa.

Né più il sacro Scamandro al pian discende
Per le segnate vie: dov’ei riposa
Sotto il capo Sigeo l’onda obliosa,
Di otmane torri il tuo bel mar s’offende.

Pur la novella etade, o veglio acheo,
Il cenno ancor de l’immortal Cronide
Stupisce e i passi de l’Enosigeo;

E trema, o vate, allor che d’omicide
Furie raggiante lungo il nero Egeo
Salta su ‘l carro il tuo divin Pelide.

Homero – I

Não mais o sorriso dos deuses o nebuloso
Cimo d’Olimpo acende aos olhos mortais:
Esbranquiçando crânios pelos penhascos fatais,
E aqui em cima a negra águia tem pouso.

Nem mais o sacro Escamandro à planície pende
Pelas assinaladas vias: ond’ele repousa de momento
Debaixo do cabo Sigeu a onda do esquecimento,
Das otomanas torres o teu belo mar s’ofende.

Apesar da nova idade, oh velho aqueu,
O sinal ainda do imortal Crónida
Admira e os passos do Enosigeu;

E treme, oh vate, agora que d’homicida
Natureza das Fúrias radiante ao longo do negro Egeu
Salta sobre o carro o teu divino Pelida.


Omero – III

E sempre a te co ‘l sole e la feconda
Primavera io ritorno ed a’ tuoi canti,
Veglio divin le cui tempia stellanti
Lume d’eterna gioventù circonda.

Dimmi le grotte di Calipso bionda,
De la figlia del Sol dimmi gl’incanti,
Nausicaa dimmi e del re padre i manti
Lietamente lavati a la bell’onda.

Dimmi… Ah non dir. Di giudici cumei
Fatta è la terra un tribunale immondo,
E vili i regi e brutti son gli dèi:

E se tu ritornassi al nostro mondo,
Novo Glauco per te non troverei:
Niun ti darebbe un soldo, o vagabondo.


Homero – III

E sempre a ti com o sol e a fecunda
Primavera eu regresso e às tuas melodias,
Velho, divino, cujas têmporas luzidias
A luz d’eterna juventude circunda.

Conta-me as grutas de Calipso de cabelos doirados,
Da filha do Sol conta-me os encantos,
Nausica, conta-me, e do rei pai os mantos
Alegremente na bel’onda lavados.

Conta-me… ah não contes. De profecias de Cumas
Fez-se a terra um tribunal imundo,
E maus são os deuses e dos vis reis as almas:

E se tu regressasses ao nosso mundo,
Novo Glauco para ti não encontraria: nenhumas
Pessoas te dariam um tostão, oh vagabundo.

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