O Diário de Régio, António Pereira

O que fazer quando as nuvens de maya aclaram de súbito
E a verdade nos rasga o ventre como uma faca de luz?
Olhamos feridos em nosso redor e tudo é deserto,
Infinito deserto resplandecente,
Nem um grão de areia húmida à sombra de uma miragem…

Nesse momento, as bolhas dos pés gritam-nos mais alto.
Deitamo-nos na areia fervilhante;
Deixamos que a pele nos arda…

E então, se não formos capazes de abdicar de deus,
Convencemo-nos de que o fogo nos purificará.

António Pereira

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