Alone Together, António Pereira

Nunca fui capaz de secar a fonte emusguecida das tuas lágrimas;
Apenas conseguia, por vezes, enxugá-las com um lenço onde escondia embrulhado um sorriso.
E tu nunca foste vento que soprasse a melancolia ardente para longe dos meus dias,
Mas eras a única brisa que me refrescava quando beijava o suor que me alagava as fontes.

Nunca vimos mais que os contornos dos nossos vultos à luz brava do sol do meio-dia;
Não ouvimos senão o clangor das palavras ressequidas:
A água escorria da boca e evaporava-se antes de cair na areia…
Nunca soubemos como matar a sede.

Mas sabíamos que nos tínhamos
Para fazermos sombra um ao outro nas tardes de estio,
Para rasparmos o bolor das noites húmidas e solitárias…

E aprendemos que amor maior não é o que sacia
Mas o que nos faz rir da nossa sede.

António Pereira

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